Terça-feira, Junho 23, 2009
Querido seu guarda que me multou no dia 02 de junho às seis e meia da noite...
Sei que fui multada por estar "dirigindo com fone de ouvido contectado a aparelho de som". Sim, seu guarda, eu estava errada, assumo a minha culpa.
Mas o senhor tem que entender que quem tem Fusca não pode ter som. Primeiro, eu não sei nem se o meu carro tem capacidade elétrica pra isso.
Segundo, colocou num dia, no outro garanto que ele será roubado. Já viu carro mais fácil de abrir do que Fusca?
Seu guarda, escutar música enquanto eu vou ou volto do trabalho é uma das coisas favoritas do meu dia. Eu canto, danço e não penso em nada.
Esqueço dos problemas, tenho uma ideia genial, ou viajo para um lugar longe daquele trânsito (tá confesso que essa parte é perigosa, mas vale a pena qualquer risco).
E agora, tudo isso vai ter que acabar e fazer o quê? Não sei, mas aceito as suas sugestões.
Eu imagino que o senhor tenha visto um Fusca vermelho e branco passando por uma via com nome em siglas esquisitas de Brasília e pensou: "Nossa, que fusquinha bonitinho, todo arrumadinho".
Meu Fusca chama a atenção e eu deveria ter pensando nisso antes de fazer uma coisa que é contra a lei. Eu sei.
O senhor deve ter me visto de fone, dançando e cantando uma música qualquer e pensou: "Xi, isso não pode. Vou ter que multar".
E eu pergunto, pra quê? Eu estava feliz no meu mundo de ilusão onde usar fone é completamente livre e você arruinou isso pra mim.
Tudo bom, eu entendo que é seu trabalho. Mas da próxima vez será que dá para olhar pro outro lado, não?
Escrito por Tati Sabadini |
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23:01
Quarta-feira, Junho 17, 2009
Nada como um bom vinho
Um casal conversa durante um jantar no restaurante japonês de sempre, ela puxa o assunto:
- Amanhã vou fazer uma matéria sobre um vinho de 70 mil reais.
- Sério?
- Safra de 59, raríssimo! Será que tem gente que compra isso?
- Claro que tem. Em Brasília então, o povo não sabe onde gastar dinheiro. Deve ser um desses caras que andam de Ferrari por aí.
De repente, silêncio.
- Pois eu gosto de imaginar outra coisa. Um velhinho compra esse vinho. Escolhe uma noite especial, uma dia de semana.
Entra na biblioteca escura da casa dele, liga som para escutar um jazz antigo, abre o vinho com calma e senta na poltrona. A cada gole lembra de alguma coisa boa que aconteceu na vida dele, algum momento bom espalhado na memória.
- Acabei de imaginar a estante de livros e a poltrona verde, bem antiga com braço de madeira e tudo.
- Eu imaginei a poltrona bege, na verdade.
- Mas quem compra um vinho desse tem que dividir com alguém, com os amigos.
- Tá bom, a mulher dele entre no quarto de vestido e cabelo branco, senta na poltrona do lado, toma o vinho e diz em tom irônico: "nem é tão bom assim".
Os dois começam a rir e ficam ali em silêncio com boas lembranças.
-Será que vamos ser esses velhinhos?
-Não sei. O que eu sei é que nunca vou gastar 70 mil em um vinho. Talvez um de mil sirva pro gasto, né?
Eles começam a rir e depois se beijam.
Escrito por Tati Sabadini |
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22:55
Quarta-feira, Junho 10, 2009
Indie rock n' roll is all I need
Faz tempo que eu não procuro uma banda nova ou adiciono uma música diferente no meu playlist.
Não sou mais indie (se é que algum dia fui) mas sinto falta.
Estou de folga essa semana toda. Segunda começo a trabalhar em uma nova editoria e dessa vez com carteira assinada (hei!).
Eram os dias perfeitos parar arrumar o armário, escrever e organizar os arquivos do meu computador. Além disso, colocar meu plano de divulgação do livro em prática.
Não fiz nada disso, é claro. Apenas paguei minhas contas, fui na academia e cozinhei. E agora, depois de mala feita para viagem de feriado com o noivo, percebi que não adianta folga ou tempo livre.
Se você não faz enquanto estiver ocupada, não faz nunca. Portanto, mãos à obra. E vamos de volta ao indie, de independente, com um toque de bom gosto musical.
Enquanto o Marco assiste o jogo do Brasil, eu procuro bandas novas, em blogs diferentes.
Um ponto positivo para a minha nova vida: Estou lendo como nunca! Livros de todos os tipos. Mulherzinhas, chatos, inteligentes e best sellers.
Sim, eu resolvi que tenho que ler os livros da lista de mais vendidos, para quem sabe, ser escritora de um livro de sucesso com o público geral.
Desde de janeiro já li: Comer, rezar, amar (gostei), Marley e Eu (chorei horrores) e agora estou lendo o fatídico A Cabana (não gostei mas estou me forçando a chegar até o final).
Outra coisa: não vou comprar nenhum livro até terminar todos os que eu não li que estão na minha estante (com exceção daqueles que eu ganhei no jornal nos últimos dias, todas leituras super leves, adorei!)
Trilha Sonora: (acabei de descobrir) Angus and Julia - Mango Tree
Escrito por Tati Sabadini |
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23:47
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Você sabe que está velha quando:
- Escuta Stairway to Heaven no rádio e lembra daquele dia que beijou aquele menino, no ponto de ônibus da Urca no Rio de Janeiro, enquanto os amigos dele tocavam Led Zepplin no violão.
- Adolescentes insistem em te chamar de “tia”.
- Você discute a futura educação dos seus filhos mais de duas vezes por semana com os amigos.
- Você não pode ver uma criança fofa na rua que quer ter uma igual.
- Os amigos da sua idade só sabem falar em apartamento, aluguel e que já passou da hora de sair de casa.
- Acha que fumar é blasé.
- Começa a “gostar” de malhar.
- Vai trabalhar na barraca da festinha da Igreja em plena sexta à noite.
- Vai trabalhar de novo na festinha da Igreja em pleno sábado à noite.
- E finalmente, “esquece” de tomar cerveja no fim de semana.
Quem te viu, quem te vê Tatiana.
Escrito por Tati Sabadini |
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19:52
Sexta-feira, Maio 08, 2009
Flu, Flu, Flu
É péssimo quando você tenta organizar a sua vida e vem uma gripe daquelas e te bota pra baixo.
É triste quando você tem uma lista de coisas para fazer, mas não tem força nem para levantar a escova de dente.
Meu quarto está uma bagunça há exatos 15 dias. Estou trabalhando sem parar há 11.
E cheia de pensamentos e ideias há pelo menos 20.
Pareço uma zumbi no trabalho de tão branca, com a cara inchada e doida da cabeça. Meus pensamentos se perdem.
Sem querer vou pra outro lugar, depois volto sem saber para onde fui ou onde ir.
Era bem óbvio que meu corpo ia pedir para parar.
O jeito é deixar passar. Finalmente, descansar no fim de semana e começar tudo de novo na segunda.
Pelo menos o trabalho e a leitura estão em dia!
Trilha Sonora: Little Joy - Shoulder to shoulder
Estou lendo: Curvas de aprendiz - Gemma Townley
Escrito por Tati Sabadini |
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13:56
Sábado, Maio 02, 2009
Conversas com o porteiro
- O senhor já teve aquela sensação de só passar pela vida? De dançar conforme a música?
- É, às vezes.
- Não é horrível? Eu só penso no trabalho o tempo inteiro. O que eu vou fazer, como eu vou fazer essas, coisas… - ele me olha com cara de desconfiado – Bem, eu também tenho comprado muito. Nossa, tenho gastado horrores, é aquela coisa quanto mais você ganha mais você gasta.
- É, nossa lá em casa eu gasto demaisss também.
- É um ciclo a gente trabalhar pra comprar, que coisa né? Mas o senhor não fica com vontade de fazer outra coisa, aproveitar mais a vida, fazer a diferença, não sei, parece que falta alguma coisa…
- Piorr que parece messmo. A vida tá difícil demaisss.
Escrito por Tati Sabadini |
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13:37
Quinta-feira, Abril 16, 2009
Pausa não mais
Eu apaguei quatro posts escritos para colocar aqui nas últimas duas semanas.
Não sei porque não consigo escrever.
Queria falar tudo o que está acontecendo, mas quando chego na terceira ou quarta frase, aperto delete.
Alguém viu o vídeo da Susan Boyle no youtube?
Bem, 11 milhões de pessoas viram. Porque a vída é cinica e preconceituosa.
Porque Susan, que nunca casou ou beijou alguém e até pouco tempo cuidava da mãe doente, foi reconhecida por quem é.
Julgamos o livro pela capa e eu sei bem disso porque eu pensei em todos os detalhes da minha capa porque queria que meu livro fosse pego na prateleira.
E de certa forma ainda penso. Isso acontece todos os dias com todo mundo.
Pra mim, é hora de começar mais uma vez.Tudo novo de novo, como diria Moska.
Ler, escrever, cortar o cabelo, tomar cerveja, comer presunto parma, cuidar do Fusca e deitar na grama.
(Parêntesis) Este blog é um diário, como o próprio título diz. Obrigada André pelo comentário e pela sugestão.
Esse espaço é sobre a minha vida e acredite, nada nela é inventada. Se fosse, talvez os posts seriam mesmo mais interessantes.
As histórias inventadas estão, por enquanto, em um documento do word, guardado no meu computador.
E com 99% de chance de que Lampedusa, seja o querido Claus, digo obrigada. E me chamar de cafetina dos meus próprios livros não vai te fazer ganhar um.
Quer dizer, talvez...
Escrito por Tati Sabadini |
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23:17
Terça-feira, Março 31, 2009
Pensando antes de dormir
Eu sempre achei que íamos ser um casal que escrevia cartas.
Longas cartas de amor um para o outro, sobre tudo, sobre nós.
Mas não foi assim.
Foram quatro cartas em três anos e cinco meses.
Todas perfeitas, melhor do que eu poderia imaginar.
Melhor do que tantas outras que não escrevemos.
Eu sempre achei que íamos ser um casal diferente.
Ainda bem que sim.
Trilha Sonora: Los Hermanos - O Vento
Escrito por Tati Sabadini |
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13:28
Domingo, Março 22, 2009
Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
É domingo à noite. O show dos Los Hermanos tá passando no Multishow.
Tanto tempo que eu não escuto essas músicas que me deu uma sensação estranha.
Lembrei da época que eu era mais inspirada. Escutava mais música, portanto escrevia mais.
Lembrei dos meus poemas e que faz três anos que eu não pego mais naquele caderninho de papel reciclado.
Às vezes eu tava dirigindo e pensava em alguma coisa. Parava o carro e escrevia.
Não faço mais isso. Hoje fui pra casa do Marco de Fusca, sem som, e minha mente foi longe.
É uma sensação boa.
A gente tava pensando em viajar para a Europa quando acabasse meu contrato no jornal em junho. Comprei até um guia Paris ontem.
Mas como nada é definido e meu contrato pode ser renovado, comecei a pensar melhor nisso.
Tenho que ser responsável e pensar no meu emprego. E não largar tudo e ir pra Europa. Não mesmo.
Posso ir depois, vamos ter outras oportunidades,quem sabe no fim do ano... Mas sim, agora tenho que ter responsabilidade.
E tentar trabalhar fazendo o que eu mais gosto de fazer: escrever. É essa oportunidade que eu não posso perder.
Para jogar um pouco de inspiração pro alto aí vai um dos meus versos favoritos da Cecília Meireles:
"Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu.
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde é Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar".
Trilha Sonora: Los Hermanos - Retrato pra Iaiá/ Casa Pré-Fabricada
Escrito por Tati Sabadini |
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21:27
Quarta-feira, Março 18, 2009
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh
Estou revoltada. Na verdade, estou sem tempo de escrever por causa do novo trabalho, por isso vou fazer um post curto e grosso!
Ninguém comprou meu livro na Cultura ainda!!!! E toda a hora agluém fala: "Ah li no seu blog que tal, tal, tal" e ninguém comenta!
Como pode? Não sei.
Tá sobre ninguém ter comprado o livro ainda sinto mais vergonha do que revolta.
Por que as pessoas falam que vão comprar e não compram! O Thiago deu a seguinte justificativa: "Ninguém compra livro mas não, Tati".
Com a crise financeira e tudo mais, eu entendo. Mas os comentários são de graça!
Conversem comigo, contem histórias ou peçam pra eu contar algum caso da minha vida que você conhece e eu ainda não contei aqui.
É isso.
Tchau.
Escrito por Tati Sabadini |
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13:44
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